A transformação dos lobisomens

Muitas obras literárias não dispensam muito tempo descrevendo o que acontece quando alguém se transforma em lobo. Num minuto, ele é humano, no minuto seguinte, ele não é mais. Mesmo em filmes como "O homem lobo", o processo de transformação acontece basicamente fora da tela - o homem, mais do que o processo de transformação, é o foco primário do filme. Ao mesmo tempo, a transformação em lobisomem em "O homem lobo" é convincente, considerando particularmente a época em que foi feito. Primeiro, começa a crescer cabelo na pele de Larry Talbot, em seguida, ele se torna uma criatura que se parece com um homem bastante peludo, com unhas afiadas e caninos pronunciados.

werewolf comparison
2007 HowStuffWorks
Alguns lobisomens são mais humanos do que lobos, enquanto outros são mais lobos

Nos filmes mais recentes, entretanto, o processo de transformação em lobo é geralmente o ponto alto do show. Ele aparece rico em detalhes e é com freqüência descrito como um processo doloroso. Os ossos se alongam violentamente e mudam de forma, se movendo por vezes tão drasticamente que chegam a romper a pele da pessoa. Do início ao fim, a transformação pode durar vários minutos e o resultado final é uma criatura que é parte humana, parte lobo, variando a proporção. Dependendo dos efeitos especiais disponíveis na época em que o filme é feito - além das técnicas utilizadas para criar tais efeitos - essas transformações podem chegar ao absurdo do grotesco para dar uma impressão de veracidade convincente.

Se o lobisomem se transforma quando morre varia de livro para livro e de filme para filme. Algumas vezes, quando um lobisomem morre na forma de lobo, ele continua como lobo para sempre. Porém, em outras descrições, ele imediatamente volta à forma humana. Nesses filmes, se você decepa a pata do lobisomem, ela pode se transformar em uma mão humana perante seus olhos. Geralmente, ferimentos graves sofridos em forma de lobo aparecem no corpo humano do lobisomem, tornando muito mais fácil determinar qual amigo ou vizinho é um licantropo.

Na maioria das representações modernas, a única cura para a licantropia é uma bala de prata. Entretanto algumas vezes poções, remédios ou rituais podem interromper a transformação, ou ao menos mantê-la sob controle. Nos livros de "Harry Potter" (em inglês) Remus Lupin quando toma a poção Wolfsbane (que pode ser chamada também de poção mata-cão ou poção do acônito), restringe a sua transformação em lobisomem ou a torna mais lenta. No filme "Possuída", a injeção de uma infusão de hemeróbio é capaz de curar a licantropia.

Atualmente os lobisomens da ficção crescem principalmente nos contos folclóricos e nessas estórias a licantropia é na maior parte das vezes uma metáfora. A seguir, veremos o que os lobisomens representam tanto nas antigas estórias quanto nos filmes modernos.

Os bons lobisomens

Em muitas descrições, os lobisomens são maus - eles matam animais e pessoas inocentes, às vezes por divertimento. Mas em alguns filmes e livros os lobisomens são bons, ou ao menos simpáticos. Eles causam compaixão no público, em grande parte pela luta em aceitar ou controlar a licantropia. Isso não é uma invenção totalmente recente. A história "Eena," de Manly Banister, foi publicada em 1947. Ela quebrou a tradição ao representar um lobisomem que era ao mesmo tempo simpático e mulher. Outros personagens, como o Remus Lupin de J.K. Rowling, parece ser inteiramente benevolente. Outro lobisomem, o impenetrável Oz de "Buffy, o caça vampiros", aprende a controlar seus impulsos licantropos, assim ele acaba por tornar-se uma pessoa melhor, reconquistando o coração de sua ex-namorada, Willow.