Se tornando um lobisomem

Nas alusões literárias mais antigas sobre lobisomens, os deuses utilizam a licantropia como punição. A idéia dos lobisomens como homens castigados também faz parte de inúmeros contos folclóricos, embora os deuses não façam sempre parte da história. Algumas vezes, alguém simplesmente se torna um lobisomem como resultado de um mau comportamento - ou alguém que não tem um bom comportamento, acaba por revelar-se um lobisomem. A transgressão freqüentemente tem algo a ver com excesso sexual e o culpado é normalmente o homem. Em um conto, uma mulher suspeita que seu marido é um lobisomem. Um dia, enquanto ele está trabalhando no campo, um lobo vai até a cozinha e a ataca. Ele morde sua saia, que normalmente é vermelha, e foge. Quando o marido retorna, a mulher vê parte de sua saia presa em seus dentes. O duplo sentido transparece.

werewolf
2007 HowStuffWorks

Quando a licantropia é um castigo, a transformação às vezes é permanente. O criminoso se torna um lobo ou se transforma em um de tempos em tempos ao longo da vida. Em outras estórias, o homem se transforma em lobo em um determinado período, normalmente sete ou nove anos. E depois, melhora.

­ ­
A Europa setentrional - lar de muitas estórias de lobisomens
e lendas
­

Mas em outros contos folclóricos, se tornar um lobisomem não é um castigo - é uma dádiva e uma fonte de poder. As estórias falam de vestimentas como cintos ou correias que permitem a quem as usa se transformar em um lobo. Isso traz inúmeros benefícios, incluindo uma dispensa abastecida de galinhas e animais de caça. Em muitas versões germânicas dessa estória, o cinto é feito com a pele de um lobo. Se o cinto for destruído, a habilidade de se transformar desaparece também. Em descrições como essa, a transformação de humano em lobo é voluntária - não dependendo da fase da lua. O homem pode mudar de humano a lobo e vice-versa quando quiser, contanto que ele tenha a vestimenta certa.

Tais histórias são comuns em muitos países da Europa setentrional, incluindo a Alemanha (em inglês), Bélgica (em inglês) e a Holanda (em inglês). Na prosa islandesa do século 13, na "Saga Völsunga," os homens usam a pele de lobos para lutar como eles. Isso também é associado aos bravos guerreiros nórdicos, tratados assim por causa da pele de urso que eles usavam nas batalhas.

 

Breton Lai
A Breton lai, ou narrativa bretã, é uma história de amor escrita em versos rítmicos. A maioria das narrativas bretãs foram compostas durante o período medieval na Europa e incluem elementos mitológicos ou sobrenaturais.
Em alguns contos folclóricos, ser um lobisomem pressupõe a remoção das vestes em vez de colocá-las. O lobisomem só pode retomar a forma humana colocando novamente suas vestes, embora as estórias normalmente não expliquem como ele as veste sem dedos e mãos humanas. Em um conto, um homem e seus companheiros viajam floresta adentro. O homem remove suas vestes, faz um círculo em volta com urina - transformando-as em pedra - e corre para a floresta. Uma vez que suas roupas são petrificadas, ninguém pode movê-las. O lobo então tem a garantia de que poderá retornar ao mundo humano. Um outro lobo da ficção não é tão sortudo. Em uma narrativa bretã chamada "Bisclavret," uma mulher adúltera de um lobisomem rouba suas vestes, mantendo-o sob a forma humana. Quando ele a vê novamente, arranca o nariz dela com uma mordida.

Nas narrativas modernas, a licantropia é freqüentemente transmitida pela mordida de um lobisomem, mas existem exceções. Na série de novelas de Terry Pratchett chamada "Discworld" por exemplo, os lobisomens são uma raça, tal como os pigmeus ou trolls. Os lobisomens de Pratchett podem se transformar de humanos a lobos à vontade. Alguns preferem permanecer na forma de lobo a maior parte do tempo, enquanto outros, como Angua, um oficial no observatório de Ankh-Morpork, muda sua forma conforme a ocasião.

A transformação em si é geralmente mais importante nos filmes do que nos escritos. A seguir, veremos como as pessoas se transformam fisicamente em lobisomens.